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Dr. Jorge

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Como se lembrar de tudo que você aprende!

Acontece muito comigo: eu assisto um vídeo, talvez um documentário, por exemplo. Cheio de informações, conceitos e ideias interessantes. Eu fico empolgado: “caramba, agora ‘tou sabendo tudo sobre isso!”. Duas horas depois, eu até que lembro as principais ideias do vídeo, acho… Eu digo pra um amigo meu: “sensacional a tese que eles defendem nesse documentário, mudou minha vida!”. Porém, se meu amigo pedir para eu explicar o que exatamente o documentário defende, eu percebo, quando vou tentar explicar-lhe, que, na verdade, eu não sei direito… Soa familiar?

É muito comum ter problemas para se lembrar do que leu ou assistiu

Se sim, você não é o único. Isso é comum! Acontece comigo o tempo todo – com filmes, livros, reportagens, podcasts… Às vezes até conversas! A verdade é que nós recebemos informação e ficamos sentindo que aprendemos. Dessa forma, nós achamos que agora sabemos, mas a verdade é que não aprendemos e não sabemos! A informação não foi devidamente digerida e absorvida.

Ilusões de competência

No fundo, é uma espécie de ilusão. Pois assim como existem aquelas ilusões de ótica que todos nós já vimos, também existem ilusões de competência. Algumas dessas ilusões, segundo a professora Barbara Oakley (autora do curso online mais popular do mundo), são:

1. Achar que sabe uma informação só porque a tem na sua frente

Em tempos de internet no celular e de mecanismos de busca como Google, isso é amplificado. Na verdade, eu conheço várias pessoas que vão para casa do trabalho de carro e usam aplicativos como Waze e similiares enquanto dirigem. E várias delas não sabem chegar em casa se o aplicativo travar. Não sabem o caminho da própria casa! Poreḿ pensam que sabem. Ter uma informação disponível na sua frente (numa tela ou em um livro aberto) não significa que você saiba.

2. Achar que sabe algo só porque entendeu

Ouvir alguém desenvolver um argumento e chegar à conclusão, não significa que VOCÊ consiga chegar à mesma conclusão ou explicar o argumento. Você pode estar ENTENDENDO a explicação – você até faz “aaahhh…!”. Porém, quando você tentar resolver a mesma equação matemática, por exemplo, sozinho, perceberá que não consegue.

3. Pensar que sabe algo porque achou no Google

Procurar e achar algo no Google (por exemplo, na Wikipedia) não significa que você sabe. A verdade é que fazer isso apenas lhe dá a ilusão de que sabe – mas a informação não está no seu cérebro. Basta desligar o wi-fi e você perceberá que a informação está no Google – não está em você.

O perigo de achar que sabe

O filósofo Mortimer Adler (autor de “Como ler livros”) dizia que uma pessoa que diz saber algo porém “não sabe explicar”, geralmente não sabe – apenas pensa que sabe.

Tais ilusões de competência são perigosas: elas formam opiniões. Você pode discutir com sua família, cônjuge, amigos por conta de uma opinião, por ser contra ou a favor de algo – só porque leu na internet. Porém, se você refletir profundamente, perceberá que no fundo você não sabe explicar o porquê. Você já parou para pensar que, na verdade, boa parte das suas opiniões são apenas você papagueando Youtubers, professores, apresentadores de rádio ou TV de que você gosta? No fundo, você não sabe explicar porque defende tais opiniões ou como chegar naquela conclusão.

Se você não sabe explicar uma opinião sua ou um argumento, é porque, no fundo, você não sabe. Não está pensando por si mesmo.

Mas e como pensar por si mesmo sem reter informação?

Eu nunca me permito formar uma opinião sobre nada se eu não conhecer o argumento contrário a ela melhor do que quem defende o contrário

Charlie Munger (investidor)

Mas como eu vou conseguir formar opiniões sobre qualquer coisa, se eu não consigo me lembrar bem das informações que eu recebo? Essa é a questão. Frequentemente, eu não consigo explicar o que eu li ou assisti simplesmente porque não me lembro!

Como a memória funciona

Existem dois tipos de memória: a memória de curto termo e a de longo termo. Entender algo significa guardar a informação na memória de longo termo. Segundo Nicholas Carr, ela armazena não só pedacinhos de informação, mas forma schemas que são conjuntos de informações interligadas entre si. Aprender algo é basicamente adquirir vários schemas. Eles se conectam entre si, permitindo que você relacione coisas aparentemente distantes umas com as outras. Contudo, para que alguma informação chegue à memória de longo termo, primeiramente ela precisa passar pela sua memória de trabalho. A memória de trabalho é um sistema cognitivo com capacidade limitada. Podemos fazer a comparação com um computador: a memória de trabalho seria a memória RAM (aquele que permite que você mantenha várias abas abertas no navegador, por exemplo). Já a memória de longo termo, é o disco rígido, o HD (onde você grava ou “salva” as coisas).

Sobrecarga de informação

As coisas que passam pela nossa memória de trabalho irão desaparecer. Só parte delas será filtrada e passará para a memória de longo termo. Se não continuarmos pensando nelas depois, elas irão simplesmente se perder. Na nossa era atual de internet e conexão 24 horas, há uma excesso de informações, que sobrecarrega nossa memória de trabalho. Então, essas informações acabam nunca sendo armazenadas na memória de longo termo e nosso sistema cognitivo fica saturado e nós nos sentimos mentalmente cansados e esgotados. Você já reparou que depois de ficar uma hora descendo a timeline do Facebook, Twitter e outras redes sociais, você se sente meio cansado e nem se lembra mais da maior das fotos, postagens, textos e memes que você viu?

Sobrecarga de informações e multitasking

Na era da informação, você basicamente fica o dia todo pulando de uma informação para outra e para outra… e já não sabe mais distinguir o que é informação relevante e o que não é. Dessa forma, sua mente fica totalmente distraída e sobrecarregada! Além da sobrecarga de informações, nós ficamos habituados a “multitasking”, que é o termo inglês para “multitarefas”. Sabe quando você está “estudando” e ao mesmo tempo vendo mensagens no celular, ouvindo música no fone de ouvido e conversando com alguém? Você consegue fazer isso – porém, é outra ilusão. Na verdade, quando você está fazendo duas ou três coisas ao mesmo tempo, você não está fazendo bem nenhuma delas.

O que fazer?

Diante de tudo isso, você deve estar pensando o que fazer. Seu objetivo, afinal, é conseguir armazenar informações na memória de longo termo e, assim, conseguir se lembrar do que você lê e assiste para, assim, poder formar opiniões e gerar schemas mentais. Aqui vão algumas coisas a serem feitas:

Elimine o excesso de informações

É necessário reeducar o cérebro e se “desintoxicar” do vício em redes sociais, Whatsapp etc. Foque em seu estudo ou na leitura de um livro de forma exclusiva, sem distrações. Para aprender melhor fazer isso, leia este artigo AQUI.

Use o método Recall (relembrar)

Após terminar de ler, por exemplo, um parágrafo de conclusão importante ou a demonstração de uma equação, pare um pouco, coloque o livro ou a tela para o lado e, sem olhar, tente se lembrar do que acabou de ler ou dos principais pontos – pode ser por 30 segundos apenas! Rascunhe num pedaço de caderno uma explicação com as suas próprias palavras. Se você não consegue, releia e releia, até conseguir. Essa é uma forma de lidar com a informação totalmente diferente do que você está acostumado: quando você termina um vídeo no Youtube, você vai pro próximo. Quando você termina um capítulo, você passa para o próximo. E o próximo… Nietzsche dizia que queria que os leitores dele fossem como uma vaca (que rumina e digere devagar). Seja um leitor-vaca! Rumine!

Tente a técnica Feynman

Pegue algo que você está aprendendo ou estudando. Tente ensinar para alguém imaginário, como se você já soubesse e fosse o professor. Você vai engasgar em vários momentos e consultar suas fontes, de novo e de novo até chegar no ponto em que você conseguirá dar uma “aula” sobre o assunto sem consultar nada. Eu faço isso até falando sozinho em voz alta! É excelente se você mora sozinho (porque aí ninguém ficará achando que você é louco…).

Finalmente, tente simplificar o que você aprendeu, explicando de um jeito que até uma criança entenderia – usando analogias, por exemplo (assim você usa sua imaginação e conecta os conceitos a outras coisas familiares – gerando schemas). Eu próprio fiz isso um pouco antes, quando eu comparei a memória de longo termo e memória de trabalho à memória RAM e HD, lembra?

Utilize repetição

Quando você fez um exercício de matemática e, olhando o gabarito, depois de duas tentativas com erro, finalmente acertou, você fica contente e passa para o próximo exercício, certo? Tente repetir alguns exercícios. Mesmo aqueles que você já acertou. A repetição reforça a memorização. É como um músico que ensaia a mesma peça musical várias e várias vezes. Isso significa ler e reler textos, usando as outras duas técnicas acima.

Fontes:

  • Learning How to Learn: How to Succeed in School Without Spending All Your Time Studying; A Guide for Kids and Teens. Barbara Oakley e Terry Sejnowski. Tarcher-Penguin, 2018.
  • How To Remember Everything You Learn
  • Como ler livros. Mortimer Adler. São Paulo (SP): É Realizações, 2010.
  • A geração superficial: o que a internet está fazendo com os nossos cérebros. Nicholas Carr. Agir, 2011.

Conclusão

É importante manter em mente que você não precisa memorizar e entender tudo. Foque naquilo que é importante e use as técnicas acima. Ser estratégico significa saber filtrar, priorizar e descartar. Isso vale para muitas esferas da vida. Assim, elimine o excesso de informações e o excesso de distrações. Enfim, foque no que é importante. Dessa forma, pratique e tente explicar para si mesmo com suas palavras.

Dá trabalho fazer tudo isso? Muito. Mas tudo na vida é assim: as coisas vêm com prática e esforço. Mas um esforço direcionado, estratégico!

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